THL

From Estudos de Derivativos Sintaxes

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Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=X4RrnE7Xq8s

Professor Su com ajuda chatGPT


Visão geral — o que é a THL (Trava Horizontal de Linha)

A Trava Horizontal de Linha (THL) é uma estratégia de opções que cria uma faixa de proteção (uma “trava”) horizontal em torno do preço do ativo, combinando pernas compradas e vendidas com strikes alinhados em uma mesma linha temporal (mesmo vencimento) ou com datas coordenadas. O objetivo típico é limitar perdas, garantir margem de movimento controlada e ao mesmo tempo tentar monetizar prêmio ou reduzir custo de hedging. Em essência é uma variação sofisticada de collar/iron structures, com ênfase na gestão dinâmica horizontal (ajustes por strike ao longo do tempo).

Componentes básicos (operações — destacadas em negrito)

  • Compra de Put (proteção para o lado de baixa).
  • Venda de Put (financia a compra da put de proteção, criando um spread).
  • Compra de Call (proteção ou recuperação do lado de alta, em variantes).
  • Venda de Call (reduz custo do hedge — cria cap no upside).
  • Compra/Venda de spreads (ex.: Bull Put Spread ou Bear Call Spread) formando a trava horizontal.
  • Posição no ativo subjacente (mantida ou não, dependendo do objetivo de hedge).

Lógica econômica — por que usar THL

A THL procura transformar risco direcional em risco de intervalo: o investidor aceita um intervalo de preços onde a perda é limitada (a “linha horizontal” do payoff) e paga (ou recebe) prêmio para comprar essa certeza. É útil quando se espera um comportamento de mercado lateral ou se quer proteção com custo controlado. A THL geralmente é construída para ter margem estável de capital exigida e permitir rolagens sistemáticas.

Estrutura típica (exemplo conceitual)

  • Compra de Put em strike A (mais abaixo) + Venda de Put em strike B (mais abaixo ainda) → cria uma trava de puts com piso.
  • Simetricamente, Venda de Call em strike C + Compra de Call em strike D → cria uma trava de calls com teto.
  • Combinando ambas forma-se a Trava Horizontal: piso (put spread) + teto (call spread).
  • Opcionalmente, manter o ativo e usar só um lado (ex.: só puts) para partial lock.

Tabela resumo (características)

Elemento Objetivo prático Quando usar
Put spread (Compra Put + Venda Put) Limitar perda abaixo de certo nível Quando quer proteção barata em queda
Call spread (Venda Call + Compra Call) Limitar upside em troca de prêmio Quando quer reduzir custo do hedge
Trava Horizontal completa Criar faixa de perda controlada Mercado lateral esperado ou risco conhecido
Posição no ativo + THL Transformar exposição em risco de intervalo Investidores com ativo físico que querem proteção parcial

Riscos centrais (caveats que o vídeo provavelmente enfatiza)

  1. Risco de execução parcial — entrar perna a perna pode deixar posição desequilibrada; prefira ordens multi-leg.
  2. Risco de assignment — pernas vendidas (calls/puts) podem ser exercidas antes do vencimento (dividendos, ex-dates). Cuidado com calls vendidas em ações com dividendos.
  3. Risco de volatilidade — IV muda preço das opções; THL pode ficar caro para rolar se IV subir.
  4. Risco de liquidez — mercados com spread largo prejudicam o preço de entrada/saída.
  5. Risco de rolagem contínua — rolagens sucessivas têm custo acumulado que pode anular a proteção.
  6. Risco operacional — erros de strikes/datas (mixar vencimentos sem estratégia) podem gerar exposição inesperada.

Gestão e rolling — regras práticas e instruções passo-a-passo

Objetivo: manter a trava eficaz, adaptar strikes e vencimentos conforme o preço do ativo e volatilidade.

Regras gerais:

  • Defina gatilhos de preço (por ex.: tocar strike inferior/superior) e gatilhos de tempo (ex.: 10–30 dias antes do vencimento) para rolar.
  • Use ordens combinadas (multi-leg) ao rolar sempre que possível.
  • Estabeleça um budget de rolagem (reservar prêmio para 1–2 rolagens) e um ponto de desistência (ex.: depois de X rolagens pare e reavalie).
  • Monitore Greeks: delta (exposição direcional), vega (sensibilidade a IV) e theta (decay). THL tende a reduzir delta, mas pode ter vega/tetha importantes dependendo das pernas.

Fluxo de rolagem típico (se o ativo se aproxima do limite inferior):

  1. Detectar gatilho: preço ≤ strike B (put vendida).
  2. Recomprar a Put vendida (fechar perna vulnerável).
  3. Vender Put com strike mais baixo + Comprar Put mais baixo (recriar o put spread mais abaixo) — isso é rolar para baixo.
  4. Ajustar simultaneamente o teto (call spread) se necessário (roll up & out).
  5. Documentar custo da operação (prêmio pago/recebido).

Se o ativo sobe e ameaça o teto: simétrico: recomprar call vendida e vender call mais alta (roll up & out).

Exemplos de gatilhos e regras numéricas (sem cálculos complexos)

  • Gatilho preço: tocar strike vendido → rolar imediatamente.
  • Gatilho tempo: falta < 15 dias para vencimento e posição ITM → rolar ou fechar.
  • Gatilho custo: rolar só se custo líquido < X% do prêmio original.

Boas práticas operacionais

  • Priorize transações combinadas para evitar execução parcial.
  • Mantenha registro detalhado (data, strikes, prêmios, custo de rolagem).
  • Faça stress tests (gap up / gap down) e avalie impacto de IV.
  • Considere tamanho de posição prudente: limite % do portfólio para cada THL.
  • Inclua cláusula tributária: opções têm tratamento específico.

Quando NÃO usar THL

  • Em mercados com grandes gaps imprevisíveis sem hedge adicional.
  • Em ativos com baixa liquidez em opções.
  • Quando você não tem reserva para rolagens.

Check-list antes de montar a THL

  1. Checar liquidez (volume e open interest).
  2. Conferir eventos corporativos (dividendos, earnings).
  3. Calcular custo líquido (prêmios + comissões).
  4. Definir gatilhos de roll e stop.
  5. Determinar tamanho da posição e capital de reserva.

Considerações finais e caveats finais (ênfase)

  • THL é poderosa para converter risco direcional em risco de intervalo, mas não é “livre de risco”: exige disciplina, monitoramento e planejamento de rolagens.
  • Caveat principal do tutorial: a habilidade operacional (execução, rolagens, controle de margem) determina 80% do sucesso — a estrutura teórica é simples, mas a gestão é que pesa no resultado.
  • Use simulações e comece com posições pequenas até dominar as reações em cenários reais.


Exemplo:


Configurações usadas

  • Modelo: Black-Scholes (delta das opções).
  • Horizonte: T = 0.5 ano (6 meses).
  • Taxa livre de risco: r = 5% a.a.
  • Volatilidades usadas:
    • Conservadora: σ = 25%
    • Neutra: σ = 30%
    • Agressiva: σ = 35%
  • Contrato = 100 ações.
  • Definições das pernas (cada leg = tipo, direção, strike):
    • Conservadora
      • Compra de Put K=27
      • Venda de Put K=26
      • Venda de Call K=31
      • Compra de Call K=32
    • Neutra
      • Compra de Put K=26
      • Venda de Put K=24
      • Venda de Call K=33
      • Compra de Call K=35
    • Agressiva
      • Compra de Put K=25
      • Venda de Put K=22
      • Venda de Call K=34
      • Compra de Call K=37

O que eu mostrei (e disponibilizei)

Eu gerei três tabelas (uma por estratégia). Cada tabela lista, para S = 27,28,29,30,31,32,33,34:

  • a contribuição de delta de cada perna (em delta por contrato, já com sinal: positiva para long calls, negativa para short calls, etc), e
  • o delta agregado da estrutura por contrato (coluna Total_Delta_per_contract).

As três tabelas foram exibidas na interface como documentos interativos. Abaixo faço um resumo dos resultados principais por estratégia, com interpretações rápidas.

Resumo dos resultados (insights)

THL Conservadora (σ=25%)

  • As contribuições por perna mostram que as calls vendidas (K=31) geram deltas negativas de magnitude crescente com S (mais negativas conforme S sobe).
  • As puts compradas/vendidas geram deltas negativas (puts long negative delta) ou positivas para a put vendida (sinal reverso).
  • O delta total por contrato varia negativo leve na faixa S=27–34 (por exemplo cerca de −13.86 a −11.65), indicando que essa trava, no conjunto, tem uma exposição vendida pequena ao ativo — ou seja, ligeiramente bearish devido às strikes escolhidas próximas ao spot.

THL Neutra (σ=30%)

  • Com strikes mais distantes (put 26/24, call 33/35) e maior σ, a delta total é mais negativo (por exemplo aprox −20 a −18 por contrato na faixa) — mostrando maior sensibilidade vendida quando S está abaixo das calls.
  • Estrutura é mais voltada a aceitar mais movimento (spreads mais largos) e, portanto, gera deltas com magnitude maior em regiões de preço.

THL Agressiva (σ=35%)

  • Com strikes ainda mais afastados (put 25/22, call 34/37) e sigma maior, o delta total aqui é menos negativo que no neutro (aprox −24 → −18 conforme S sobe), mas as pernas individuais mostram maiores deltas nas calls compradas de strike 37 quando S se aproxima de níveis altos.
  • Em termos práticos, a trava agressiva dá mais espaço para movimentos, e seu delta agregado reflete uma exposição negativa moderada em S baixo, diminuindo (em magnitude) quando o preço sobe.

Observações operacionais rápidas

  • Essas deltas são instantâneas (no tempo T=0 com T=0.5 para vencimento). Conforme o tempo passa (theta) e a volatilidade muda (vega), as deltas mudam — especialmente perto dos strikes (efeito gamma).
  • Para gestão: monitore o delta agregado se o objetivo é manter neutralidade; ajuste vendendo/comprando underlying ou rolando pernas conforme os gatilhos que definimos anteriormente.
  • As escolhas de σ alteram as deltas calculadas — use a IV de mercado se quiser valores exatos para execução.