Dicionario CORRETORA
Fonte: chatGpt orientado por Mario Caseiro
📘 Corretora
A corretora de valores mobiliários (ou simplesmente corretora) é uma instituição financeira intermediária autorizada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pelo Banco Central do Brasil a executar operações de compra e venda de ativos financeiros em nome de seus clientes.
Ela é o elo entre o investidor e o mercado — sem uma corretora, ninguém pode negociar diretamente em bolsa.
Em outras palavras, a corretora é a “ponte” que liga pessoas físicas e jurídicas à B3 (Bolsa de Valores Brasileira) e aos mercados de derivativos, renda variável e câmbio.
🎯 Função principal da corretora
A função básica da corretora é intermediar ordens de compra e venda de ativos — sejam ações, contratos futuros, opções, commodities ou moedas — executando essas ordens no mercado conforme instruções do cliente.
Mas essa é apenas a face mais visível.
Por trás dessa execução existem funções vitais:
- Garantir que as operações cumpram as normas regulatórias;
- Avaliar e controlar riscos;
- Gerenciar garantias (margens de segurança);
- Prestar relatórios e transparência ao investidor.
Sem corretoras, o mercado seria caótico, pois cada negociação dependeria de confiança direta entre compradores e vendedores.
A corretora dá estrutura, segurança, liquidez e rastreabilidade às transações.
🧾 A “mesa” de operações (ou trading desk)
Dentro de uma corretora existe o chamado “trading desk” — em português, mesa de operações.
É o setor responsável por executar as ordens dos clientes no mercado.
Funciona literalmente como uma mesa de negociação, onde operadores profissionais monitoram cotações, volumes, riscos e liquidez em tempo real.
Há dois tipos principais de mesas:
- Mesa de varejo – atende investidores individuais e empresas menores;
- Mesa institucional – atende grandes investidores, fundos, tesourarias de bancos, seguradoras e empresas de capital aberto.
Essas mesas podem operar manualmente (por telefone ou chat) ou de forma eletrônica (via plataformas digitais), como o home broker ou sistemas avançados como MetaTrader, ProfitChart, Tryd, Bloomberg Terminal, entre outros.
⚙️ O processo de execução de uma ordem
- O cliente envia a ordem (ex: “comprar 10 contratos futuros de dólar”).
- A corretora valida a ordem, checando se o cliente:
- Tem saldo suficiente em conta;
- Possui margem (garantias) adequada;
- Está dentro dos limites de risco e compliance.
- A ordem é roteada para o sistema da bolsa (B3).
- A B3 registra e liquida a operação, enviando de volta o resultado à corretora.
- A corretora atualiza a conta do cliente, mostrando lucro, prejuízo e saldo de margem.
Tudo isso acontece em segundos, de forma automatizada, mas cada etapa é rigidamente controlada por sistemas de risco e conformidade (compliance).
🛡️ Gestão de Risco e Compliance
As corretoras possuem departamentos especializados de Risk Management e Compliance, que têm como missão proteger a corretora, o cliente e o sistema financeiro de prejuízos, fraudes e violações de regras.
Funções do controle de risco:
- Verificar a exposição do cliente: quanto ele pode perder em cada operação.
- Calcular margens de garantia: quanto de patrimônio deve ficar bloqueado para cobrir possíveis perdas.
- Monitorar limites operacionais: cada cliente tem um limite máximo de alavancagem.
- Ajustar posições automaticamente: se o cliente ultrapassar os limites, a corretora pode zerar posições (fechar operações) para evitar prejuízo maior.
Funções do compliance:
- Garantir que todas as ordens estejam em conformidade com leis e regulamentos da CVM e B3;
- Evitar lavagem de dinheiro, manipulação de mercado e operações suspeitas;
- Registrar e auditar todas as ordens enviadas;
- Bloquear operações fora do perfil de risco do investidor.
➡️ Em resumo: compliance e risco têm poder de intervir em suas ordens, inclusive bloqueando, reduzindo ou cancelando operações se houver risco sistêmico ou descumprimento de regras.
Margem e garantias para operar (depósito de garantias)
Quando você opera derivativos — especialmente no mercado futuro ou de opções — é preciso depositar garantias, também chamadas de margem de segurança.
Essa margem serve como colateral: um valor bloqueado que assegura à bolsa e à corretora que, caso você tenha prejuízo, haverá recursos disponíveis para cobrir a perda.
Tipos de garantias aceitas no mercado brasileiro (B3):
- Dinheiro em conta corrente da corretora;
- Títulos públicos federais (como Tesouro Selic ou LFTs);
- CDBs de bancos de primeira linha;
- Ações líquidas listadas na B3 (com deságio);
- Fundos de investimento (em casos específicos e com limites);
- Cartas de fiança bancária (para investidores institucionais).
A B3 calcula o valor necessário de margem usando modelos de risco (como o PAF – Portfolio Analysis of Risk Factors) e informa às corretoras quanto deve ser depositado para cada contrato ou posição.
📉 Exemplo prático de margem
Imagine que você quer comprar 1 contrato futuro de dólar.
A B3 exige, digamos, R$ 5.000,00 de margem.
Isso não é o custo da operação, mas um valor bloqueado como garantia.
Se o mercado se mover contra você, e seu prejuízo for de R$ 1.000,00, ele será descontado dessa margem.
Se o prejuízo atingir a margem total, a corretora pode zerar sua posição automaticamente — um mecanismo de stop out para evitar inadimplência.
🧩 O papel da corretora no ecossistema financeiro
| Função | Descrição |
|---|---|
| Intermediação | Executa ordens de compra e venda entre cliente e mercado. |
| Gestão de risco | Calcula margens, limites e garante estabilidade financeira. |
| Compliance | Assegura que tudo siga normas da CVM, B3 e Banco Central. |
| Custódia e liquidação | Mantém ativos sob guarda e garante liquidação financeira. |
| Relacionamento | Oferece suporte, relatórios e acesso a plataformas de negociação. |
⚖️ Por que a corretora é essencial no mercado de derivativos
Sem corretoras:
- Não haveria canal seguro para negociar;
- Não haveria controle de risco;
- A B3 não teria garantias centralizadas;
- A liquidez e a confiança desapareceriam.
A corretora é, portanto, a base operacional e de segurança do sistema financeiro moderno.
Ela permite que derivativos cumpram seu propósito: transferir risco com eficiência, segurança e rastreabilidade.